"Corte sua história''

O ''CORTE SUA HISTÓRIA'' É UM BLOG PESSOAL, ONDE EU RETRATO HISTÓRIAS VERÍDICAS!

SUA HISTÓRIA SERÁ CONTADA, SEU CABELO CORTADO E SUA IDENTIDADE NÃO SERÁ REVELADA. SEJA BEM VINDO AO ''CORTE SUA HISTÓRIA''.

sábado, 15 de março de 2014

Corte com emoção ou sem emoção?

Fui atender uma antiga amiga, da época da faculdade, a senhorita K., ela já queria cortar havia um tempo, mas não tinha a menor ideia do que queria fazer com suas madeixas, que já ultrapassavam a cintura. 
Conversa vai, conversa vem, trocamos mensagens por alguns dias, e depois de diversas fotos e sugestões de cortes, finalmente chegamos a um corte lindo, inspirado na atriz Paola Oliveira.
Pronto, dia e hora devidamente marcados.

Cheguei muito animada, fazia tempo que queríamos nos rever, mas conforme a idade vai chegando, a correria e a falta de tempo infelizmente vem acopladas também, como se já fizesse parte do pacote.

Entre uma tesourada e outra, uma fofoca e outra, toca o telefone dela, era a irmã mais velha, aos prantos falando do outro lado da linha.
Ela começou a se exaltar, ficou muito nervosa e tremula, senhorita K. fazia mil perguntas para a irmã. Eu comecei a prestar atenção para tentar entender o que estava acontecendo.
Quando ela desligou e me contou o motivo de tanta tensão, fiquei nervosa também. 
A irmã dela tem uma filha pequena de 5 anos, e estavam as duas em um taxi, quando ela foi descer, avisou o motorista que ia pegar filha que dormia no banco de trás, mas quando ela bateu a porta do carro, o taxista foi embora levando a filha junto.
O desespero tomou conta de todos, chamaram a polícia e avisaram outros taxistas que passavam ali no local para tentar localizar.
Ninguém sabia realmente quais eram as intenções do taxista, e isso deixava a mãe da criança mais nervosa. Aquelas senhorinhas que ficam no portão vendo a vida passar, as famosas " candinhas" já falavam em sequestro e abuso sexual, um verradeiro veneno para a pressão arterial de qualquer mãe.
Depois de quase uma hora, finalmente o taxista apareceu, a criança continuava dormindo no banco traseiro do carro, sem fazer a menor ideia do que estava acontecendo, e ele morrendo de vergonha pelo que havia feito, pedindo mil desculpas por não ter percebido e nem prestado atenção no que a mãe disse ao saltar do taxi. Graças a Deus foi só um susto e todos passam bem.

Esse corte foi com meio abalado, o próximo eu quero sem emoção, tá? A idade já não permite esse tipo de adrenalina!



    Corte finalizado!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Muito mais que um retoque de raiz

Senhora A - 50 anos - Portuguesa e muito arrependida

Sem muito brilho no olhar, e nem um pouco animada para dar um up na cor dos cabelos, Senhora A chegou já me informando a numeração do tom que queria nas madeixas! Eu apenas ouvi e comecei a fazer o diagnóstico dos seus fios. Cabelo prismático, queimado de sol e todo quebrado devido ao uso excessivo da prancha sem um protetor térmico.
Percebi que ela estava meio triste e comecei a puxar assunto e falar algumas besteiras pra tentar animá-la.
Deu certo! E ela desembestou a falar! 

"Eu morei 8 anos em Lisboa, foi a melhor fase da minha vida, era solteira e sem filhos. Ai se eu tivesse a cabeça de hoje naquela época, eu teria outra vida, uma bem melhor!"

Senhora A. me contou que foi traída pelo marido após muitos anos de casada. A descoberta é recente e foi aí que tudo fez sentido. Ela estava muito arrependida de ter se dedicado durante muitos anos ao longo de sua vida a uma pessoa que traiu sua confiança e seu amor. Meus olhos encheram de lágrima, mas disfarcei.

"Se eu pudesse voltar no tempo, não teria casado, nem tido meus três filhos não, eu perdi 26 anos da minha vida casada com o mesmo homem. Ele não me deixava fazer nada, não podia trabalhar, fiquei dependendo dele a vida toda, eu queria ter sido mais independente. Me separei e criei coragem de fazer uma faculdade depois dos 40 anos, estou cursando direito e ganhando meu próprio dinheiro revendendo bolsas."

Antes e depois

sábado, 18 de janeiro de 2014

Curto e grosso

Senhora S. - 45 anos. Curta e grossa, assim como seu cabelo.

Senhora S. chegou toda séria, com uma cara de brava. Acomodou-se na cadeira, e antes de eu dizer qualquer coisa, ela falou o que todos cabeleireiros amam ouvir: ''Pode fazer o que você quiser, eu confio em você, mas eu queria cortar curto, pode cortar bem curtinho mesmo menina!''
Após analisar a textura de seu cabelo, um fio bem grosso e um tanto quanto ressecado, perguntei se ela havia feito algum tipo de relaxamento ou alisamento em suas madeixas, ela me confirmou o relaxamento e seguimos com a prosa. Com as minhas noções básicas sobre visagismo (pois ainda estou estudando e muito sobre o assunto) recomendei um curto repicado com um leve bico na frente. Ela topou!
Enquanto eu penteava e dividia as mechas, Senhora S. começou a ''cortar'' um pouco da sua história.

Ela trabalhou como auxiliar de cabeleireira durante anos, mas disse que em 1989 decidiu prestar um concurso para ingressar no serviço público, para ter mais estabilidade e garantir uma aposentadoria tranquila. E de boca cheia, Senhora S. soltou em voz alta: ''Eu passei, nem precisei estudar!'' Eu, curiosa do jeito que sou, perguntei o que ela fazia, e quando ela me disse, fiquei interessadíssima em ouvir mais sobre sua profissão. Senhora S. é agente penitenciária, e me respondia na lata tudo que eu perguntava. Do jeitinho dela, curta e grossa, mas eu fui adorando e me empolgando com a sinceridade dela.
Estava vidrada nas histórias que ela me contava, mas por motivos óbvios não posso contar tudo para vocês. Um dos fatos curiosos, no qual achei muito bacana por sinal, é que a escola que eu estudo, dá o curso para as detentas. Acredito que este é o caminho, tentar reformar alguém que cometeu um crime oferecendo uma profissão, realmente é dar uma nova chance para quem errou.
'' A vida de quem trabalha com criminosas é perigosa, eu tinha muito medo no começo de ser feita de refém em alguma rebelião, levar uma facada ou de morrer mesmo.Tinha pesadelos um atrás do outro, acordava suando frio. Foi tenso. Com o tempo a gente se acostuma a viver com essa adrenalina. Mas depois de todos esses anos, me dei conta que eu amo meu trabalho, fiz muitas amizades com gente de todo tipo.Menina, eu descobri que adooooro o perigo!'' gargalhou Senhora S.

Tirei 4 dedos do comprimento e repiquei as pontas


Obs.: Como ela chegou com cara de brava fiquei com vergonha de pedir para tirar a foto do antes.





quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Comprido e grisalho

Dona D. - Piauiense, 80 anos, 15 filhos e 60 netos.
Começo meu blog com a história da Dona D. Uma senhorinha dona de um cabelão comprido e todo grisalho.
Logo que ela sentou em minha cadeira, começou a falar e não parou mais.
‘’ Prazer Carolina, você é muito vaidosa, igualzinha uma de minhas netas, que também é Carolina. Ela usa um monte de joias, anéis e pulseiras, igualzinha você. Vocês, que são formosas, costumam ter um nariz empinadinho que só Deus sabe. Eu gosto de gente assim’’, falou e disse Dona D.
Eu dei risada e comecei a perguntar o que ela queria fazer no cabelo. Logo sugeri cortar bem curtinho. Pelo fato de ser uma senhora, fica mais bonito e elegante. Mas a Dona D. é terrível e só quis cortar alguns dedinhos.
Enquanto eu penteava e separava as mechas, ela contava um pouco da sua história de vida.
‘’Sabe, eu vou sair daqui. Vou viajar com um dos meus filhos, e ele vai me levar para fazer um cruzeiro. Eu nunca fiz um, você já fez?’’, perguntou Dona D.
Eu fiz um cruzeiro uma vez e comentei como foi maravilhoso. Eu adorei e deixei ela mais empolgada ainda. Ver o sol nascer no meio do oceano foi incrível. Entre uma tesourada e outra ela falava sobre seus filhos, netos e lugares por qual ela já visitou e morou. O corte era fácil e foi rapidinho, então não deu para ela me contar muita coisa.O ponto alto da nossa conversa foi quando ela me disse que a cada dois anos ela muda de casa (ela tem 15 filhos e a cada dois anos ela vai morar com um deles). Tem filhos espalhados por todo Brasil, desde o Piauí (sua terra natal) e também em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo.
Fiquei chocada quando ela me contou dos 15 filhos, e logo perguntei: ''E netos, a senhora tem quantos?''

E com um brilho no olhar, Dona D. finalizou a conversa:
‘’Eu tenho 60 netos, acredita? Já sou bisavó e daqui uns meses serei tataravó também!''.