"Corte sua história''

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sábado, 18 de janeiro de 2014

Curto e grosso

Senhora S. - 45 anos. Curta e grossa, assim como seu cabelo.

Senhora S. chegou toda séria, com uma cara de brava. Acomodou-se na cadeira, e antes de eu dizer qualquer coisa, ela falou o que todos cabeleireiros amam ouvir: ''Pode fazer o que você quiser, eu confio em você, mas eu queria cortar curto, pode cortar bem curtinho mesmo menina!''
Após analisar a textura de seu cabelo, um fio bem grosso e um tanto quanto ressecado, perguntei se ela havia feito algum tipo de relaxamento ou alisamento em suas madeixas, ela me confirmou o relaxamento e seguimos com a prosa. Com as minhas noções básicas sobre visagismo (pois ainda estou estudando e muito sobre o assunto) recomendei um curto repicado com um leve bico na frente. Ela topou!
Enquanto eu penteava e dividia as mechas, Senhora S. começou a ''cortar'' um pouco da sua história.

Ela trabalhou como auxiliar de cabeleireira durante anos, mas disse que em 1989 decidiu prestar um concurso para ingressar no serviço público, para ter mais estabilidade e garantir uma aposentadoria tranquila. E de boca cheia, Senhora S. soltou em voz alta: ''Eu passei, nem precisei estudar!'' Eu, curiosa do jeito que sou, perguntei o que ela fazia, e quando ela me disse, fiquei interessadíssima em ouvir mais sobre sua profissão. Senhora S. é agente penitenciária, e me respondia na lata tudo que eu perguntava. Do jeitinho dela, curta e grossa, mas eu fui adorando e me empolgando com a sinceridade dela.
Estava vidrada nas histórias que ela me contava, mas por motivos óbvios não posso contar tudo para vocês. Um dos fatos curiosos, no qual achei muito bacana por sinal, é que a escola que eu estudo, dá o curso para as detentas. Acredito que este é o caminho, tentar reformar alguém que cometeu um crime oferecendo uma profissão, realmente é dar uma nova chance para quem errou.
'' A vida de quem trabalha com criminosas é perigosa, eu tinha muito medo no começo de ser feita de refém em alguma rebelião, levar uma facada ou de morrer mesmo.Tinha pesadelos um atrás do outro, acordava suando frio. Foi tenso. Com o tempo a gente se acostuma a viver com essa adrenalina. Mas depois de todos esses anos, me dei conta que eu amo meu trabalho, fiz muitas amizades com gente de todo tipo.Menina, eu descobri que adooooro o perigo!'' gargalhou Senhora S.

Tirei 4 dedos do comprimento e repiquei as pontas


Obs.: Como ela chegou com cara de brava fiquei com vergonha de pedir para tirar a foto do antes.





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